Dando seguimento ao post anterior sobre o cartão de credito, vamos hoje focarmo-nos nos vários apetos a ter em conta quando procura um cartão de credito adequado para si.
Taxas de juro
Se vai fazer um uso regular do credito proporcionado pelo seu cartão, este é o fator principal a ter em conta, pois é este que pode pesar mais na sua carteira no médio longo prazo. Estas taxas podem ter grandes variações de entidade para entidade e ao longo do tempo. Uma comparação que faça hoje pode já ser inútil daqui a um mês devido á velocidade que as taxas são actualizadas.
Tanto pode encontrar cartões de crédito com taxas á volta de 13%, como é o caso do cartão de credito que resulta de uma parceria entre a Unicre e a Deco , como pode encontrar cartões com taxas elevadíssimas como é exemplo o Santander Totta Gold MasterCard onde a taxa chega aos 31,7%.


Se quer ter uma ideia da diferença de valores vamos exemplificar um caso pratico. Se comprar um electrodoméstico ou umas férias com o seu cartão e gastar por exemplo 1200€, senão liquidar a totalidade do credito no dia definido terá que suportar juros. Vamos considerar que liquidou 200 e ficou a dever 1000€ para ser mais fácil de calcular. No primeiro caso iria pagar 1000*0.13/12=10,84 euros de juros no mês seguinte. No caso do cartão de credito do Santander Totta iria pagar 1000*0.317/12=26,42 euros. A estes valores acresce ainda o valor do imposto de selo.
Anuidade
Outro fator que pode pesar na sua carteira é a anuidade do cartão. Apesar de este aspeto ser mais relevante em utilizadores que usam pouco o crédito do seu cartão. Para que faz um uso mais regular uma anuidade mais alta pode compensar desde que a taxa de juro do crédito seja mais baixa.
Para quem faz conta de nunca recorrer ao credito e/ou pagar sempre as compras na sua totalidade (usando o período de credito sem juros) este é o fator principal a ter em conta, pois é o que pode encarecer mais esta ferramenta.
A maior parte dos bancos oferece a primeira anuidade dos cartões para primeiros e segundos titulares como forma de incentivar a adesão a este tipo de produtos. Se o seu banco lhe oferecer um cartão nestas condições não se sinta um privilegiado pois é a pratica corrente do mercado. Mais difícil por vezes é perceber quanto será a anuidade no segundo e seguintes anos. Esta informação é muitas vezes posta em letras pequeninas ou em sítios menos visíveis dos meios de publicidade. É muito importante perceber qual o valor da anuidade que se está a comprometer a pagar nos próximos tempos para não provocarem um rombo inesperado na carteira num produto que nem esperava usar.
Regra geral quanto mais baixa for a anuidade melhor. Se conseguir encontrar um cartão sem anuidade e com taxas de juro baixas será o ideal. Um exemplo disto é o cartão da Deco em parceria com a Unicre que já referimos atrás.
É importante ainda referir que existem várias gamas de cartões de credito: os chamados “Prestige” ou “Gold” e os correntes ou “Classic”. No caso dos primeiros as anuidades costumam ser mais altas (em média superiores a 50 euros) pois têm um limite de crédito superior e um conjunto de seguros associados mais amplo.
Limites de Credito
O valor do limite de credito é muitas vezes calculado com base no valor do vencimento liquido mensal e do património financeiro do cliente. No caso dos Gold/Prestige esse valor pode ser superior e é ajustado caso a caso consoante as necessidades dos clientes.
Taxa de combustível
Este é uma apeto normalmente negligenciado e esquecido pelos consumidores, se necessitar de pagar o abastecimento de combustível com o cartão crédito poderá ter uma surpresa. È que muitos cartões de credito cobram uma taxa extra de 52 cêntimos nestas situações. Portugal é assim um dos únicos países da União Europeia que ainda cobra estas taxas, mesmo que esteja a pagar combustiveis no estrangeiro.
Se se habituar a pagar tudo com cartão e depois quiser poupar esta taxa terá que andar sempre com dinheiro vivo na carteira o que não é nada pratico. Informe-se primeiro sobre quais as taxas que terá que pagar nesta situação.
Seguros associados
Muitos dos cartões trazem um conjunto de seguros associados em que muitas vezes servem para justificar a diferença de anuidades entre eles. Os cartões Gold costumam ser muito mais completos neste campo mas também muito mais caros. Tem que ser o consumidor a decidir quais os serviços que necessita para não estar a contratar e pagar serviços que nunca irá usar, estando a deitar dinheiro á rua.
Seguros de viagens, de acidentes pessoais, de saúde, de assistência ao domicilio, etc… è muito extensa a variedade de seguros que estes cartões de crédito trazem associados e muitos deles provavelmente nem irá precisar deles por isso é importante fazer uma analise para decidir se compensa pagar mais ou menos para ter estes seguros.
Um dos seguros que existe em praticamente todos os cartões é o seguro por uso fraudulento e é bastante importante. Se o seu cartão for furtado , ou se o perder é obrigado a comunicar imediatamente ao banco para poder ativar o seguro. Desta forma fica protegido contra o uso fraudulento do cartão e deixa de ser responsável pelos pagamentos feitos pelo mesmo por terceiros. Como em todos os seguros, se se provar que houve negligência da parte do cliente este seguro pode ser mais difícil de ativar. Muitos destes cartões exigem ainda o pagamento de uma franquia caso alguém utilize mesmo o seu cartão de uma forma fraudulenta.
Cash-back
Este é um engodo muito utilizado pelos cartões de crédito. Muitas pessoas procuram cartões de credito que lhes proporcionem descontos diretos em todas as compras que façam. Existem vários modelos: uns acumulam pontos para depois gastar em produtos que vêm numa espécie de catalogo outos transformam uma percentagem das compras em dinheiro para se gastar. Nem sempre estes sistemas compensam, muitos dos produtos que vêm em catálogos para usufruir dos pontos vêm com preços inflacionados face aos valores do mercado ou então exigem uma quantidade de pontos exageradamente alta que dificilmente será atingida pela maioria dos consumidores e incentiva-os a um maior consumismo com o objectivo de acumular um maior número de pontos.
Uma manobra de marketing mais recente é a de criar uma espécie de mealheiro. O cliente compra, paga com o cartão de crédito e um pequeno valor é transferido para uma conta poupança remunerada dando a sensação ao consumidor que se está a construir um mealheiro de cada vez que se faz uma compra.
Por exemplo eu faço compras no valor de 19,20€, pago com cartão e é-me cobrado 20€. Dos 20€, 80 cêntimos são transferido para uma conta poupança remunerada (o tal mealheiro) que irá crescer com o tempo. No fundo o Banco não está a dar nada ao cliente, apenas a taxa de juro que depois irá remunerar sobre a conta poupança.
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